quarta-feira, 19 de outubro de 2016

MANIFESTO TERRITÓRIO DO POVO!

Terreno Público, Território do Povo.

           
            A cidade de São Paulo é historicamente um território em disputa. Sua urbanização e o processo de ocupação do solo ocorreram, em grande parte, de maneira desigual e seguindo uma lógica econômica capitalista, exploratória e excludente. A população de migrantes e trabalhadores responsável pela construção, crescimento e transformação da cidade nas últimas décadas foi empurrada para as regiões mais afastadas do centro, as periferias, sem direito aos equipamentos sociais e urbanos que se encontram nos centros urbanos – rua asfaltada, luz, escola, transporte, atendimento médico, lazer e cultura. Mas, estas populações resistiram à tentativa de esconderem sua presença e suas demandas, organizaram-se em mutirões comunitários e associações de bairro, ergueram casas, reivindicaram escolas, luz, água, transporte e ruas asfaltadas, formaram bairros populares, criaram formas coletivas e comunitárias de se relacionar, resistiram à violência do crime e da polícia e desenvolveram expressões culturais próprias – a literatura periférica e os saraus, as rodas e escolas de samba e o hip hop.

            É dentro deste contexto de luta e disputa pela cidade que surge nos territórios do Jd.Olinda, Jd. Catanduva e vizinhanças, na Subprefeitura de Campo Limpo, o COLETIVO TERRITÓRIO DO POVO.

            Somos herdeiros da mobilização e da resistência da população trabalhadora, pobre, nordestina, negra, indígena e periférica deste território chamado São Paulo.
           
Histórico.

            Em junho de 2015, o Conselho de Escola da EMEF Dr. Sócrates Brasileiro, preocupado com o terreno baldio localizado ao lado da unidade, repleto de lixo e entulho, servindo apenas de pasto de cavalos, rota para a fuga de bandidos e ponto de drogas, resolveu convidar a comunidade do entorno, os coletivos culturais e associações de bairro para discutir o uso social do espaço e a revitalização da área.

            Desse encontro, nasceu a proposta de revitalização do terreno público ocioso com a construção de um GALPÃO CULTURAL para oficinas culturais, esportivas, profissionalizantes e de lazer para a comunidade escolar e dos arredores.

            Desse encontro nasceu a ideia de ocupar e se empoderar do espaço público.

     Desse encontro nasceram as reuniões de organização e mobilização para transformação do espaço urbano de nosso território e que deram origem ao Coletivo Território do Povo.

As ideias.

            O Território do Povo é uma federação de Coletivos, porque não é apenas um, mas a soma de vários coletivos de origens diversas nas suas formações e reivindicações. E que compartilham a presença física no território e uma orientação geral em comum: a ideia do direito à cidade. Fazem parte dele a EMEF Dr. Sócrates Brasileiro, na figura de seu Conselho de Escola, a ASSAJO (Associação de Moradores do Jd. Olinda), a Brechoteca Biblioteca Popular, o Sarau do Binho, a Acadêmicos do Campo Limpo, a Brava Companhia de Teatro, o Coletivo RUA – Juventude Anticapitalista e o coletivo de grafite KVC – Kores e Valores Crew.

            O direito à cidade não é um modismo. Surge basicamente das ruas, dos bairros, vielas, escolas e coletivos culturais e reivindicatórios como um grito de revolta de pessoas oprimidas. Tem tudo a ver com as lutas que continuam a existir acerca de quem vai configurar as características da vida urbana cotidiana. Surge do embate entre o significado imposto ao território urbano pelos financistas, empreiteiros e pelo neoliberalismo globalizado e o significado reivindicado pelos sem-teto, os migrantes, os negros, os indígenas, as mulheres trabalhadoras e chefes de família, os periféricos e os imigrantes ilegais.

Enquanto o capital e seus agentes pensam e significam o espaço urbano através da especulação imobiliária, da exploração das reservas de mão-de-obra, do fetichismo da mercadoria e do consumismo cultural urbano, os movimentos sociais, os movimentos de luta pelos direitos coletivos e movimentos culturais periféricos ocupam os territórios urbanos como espaços públicos, de reivindicações dos direitos dos trabalhadores, mulheres, gays e minorias, dos direitos à moradia, à educação, à cultura, à mobilidade urbana e ao lazer.

O direito à cidade é, portanto, o direito de significar e criar a cidade em bases coletivas e de solidariedade. O direito de criar uma democracia popular que ultrapasse os limites da democracia burguesa representativa. O direito de pensar e elaborar a cidade através de uma relação de respeito e integração com o meio ambiente. O direito à cidade surge da não aceitação do genocídio da juventude negra, da violência contra a mulher, do racismo, da homofobia, da xenofobia, do preconceito e da discriminação que restringem as nossas potencialidades, e negam o nosso direito à vida digna e plena.

O direito à cidade surge da ocupação do território público pelo povo.

O direito à cidade é a ocupação por moradia. É a ocupação cultural. É a ocupação dos espaços e vias públicas para a reprodução não do capital e da exploração do homem pelo homem, mas sim, para reprodução da vida, da dignidade humana, dos direitos humanos, da cultura popular, e para criação de uma sociedade igualitária.

O Coletivo Território do Povo percebe a cidade como a maior, mais aberta e inacabada obra de arte concebida pelo ser humano. Por aberta e inacabada, por isto mesmo em constante transformação e disputa. Mas, a discussão sobre o tipo de cidade que queremos não pode ser separada da discussão sobre o tipo de pessoas que queremos ser ou sobre o tipo de relações sociais que buscamos.

Por isto, o Coletivo propõe:

- Reuniões regulares de organização, mobilização e estudo toda 1ª sexta-feira do mês;

- As reuniões devem ter um caráter itinerante no território, ou seja, sempre buscar novos lugares, espaços e parceiros, incentivando a mobilização e o caráter de democracia popular e direta;

- O apartidarismo como forma de organização;

- A mobilização e organização coletiva das ruas, das vielas, dos bairros, dos coletivos e do povo como forma de luta política transformadora e popular;

- O repúdio a toda forma de organização vertical e hierarquizada e a defesa da organização horizontal através de comissões autogestionadas;

- A ocupação social de terrenos e territórios como estratégia de luta e reivindicação;

- As assembleias com direito à voz e voto de todo membro do Coletivo, como instância de decisões, além das comissões;

- Estudo e aprofundamento nos conceitos e nas técnicas da permacultura como meio de pensar, organizar e transformar o espaço urbano;

- O coletivismo, a solidariedade, assim como o respeito às individualidades como tipos de relações sociais a serem buscadas e estimuladas;

- A Reforma Urbana como maneira de transformar o espaço urbano em território de respeito aos direitos coletivos e socias e de transformar a cidade em ambiente de desenvolvimento social e digno do ser humano;

- O combate irrestrito à especulação imobiliária e a denúncia de seus agentes;

- Independência e transparência na coleta, gestão e uso dos recursos financeiros do coletivo;

- A união ao Fórum Social Sul como forma de discutir, mobilizar e agir perante as problemáticas da vida cotidiana da população periférica da Zona Sul;

- A ocupação efetiva do território, inclusive em instâncias de decisão, pela população que nela vive, socializa e trabalha como forma de fortalecimento de uma identidade popular própria, de superação das desigualdades sociais e de eliminação da violência sistemática – do crime e do Estado – que causa o genocídio da população jovem do território.

Por um território popular, libertário e verdadeiramente democrático.




           


Carta Aberta.

Queremos o nosso Galpão de Cultura!!!

Desde o ano de 2015 lutamos para que a PMSP, através da Secretaria do Verde, revitalize espaço público ocioso ao lado da EMEF Dr Sócrates Brasileiro com a construção de um Galpão de Cultura que retire as crianças e jovens em situação de vulnerabilidade das ruas e lhes oportunize mais cultura, esporte, educação e profissionalização.

O terreno é área de proteção permanente (APP), mas até a comunidade escolar se mobilizar e propor o uso de social do espaço, o lugar servia apenas para depósito de lixo, entulho, pasto de cavalos e violência.
No dia 14 de setembro, a Siurb esteve presente na escola e apresentou proposta de projeto, o qual foi amplamente divulgado e aprovado por toda comunidade.
Entendemos que dentre os diversos problemas sociais enfrentados por nossa comunidade, a moradia é um dos mais graves. Lamentamos, inclusive, que a urbanização da favela tenha se restringido apenas a uma pequena faixa.
A EMEF Dr Sócrates Brasileiro se solidariza à luta por moradia digna, mas reinvindica a construção do Galpão de Cultura como política pública que beneficiará as nossas crianças e jovens que não tem a oportunidade de desenvolver suas potencialidades, de profissionalizar-se e ter a chance de uma perspectiva de futuro melhor.

Arte conceitual do projeto do Galpão de Cultura.

Arte conceitual de projeto apresentado por SIURB.

Arte conceitual do Galpão Cultural.

Galpão seria construído em terreno ao lado da EMEF Dr. Sócrates.

Arte conceitual do Galpão Cultural, apresentada em 14 de setembro.

O BLOG voltou! Terreno Público, Território do Povo Já!!!

Depois de uma pausa nas atividades do blog, voltamos a postar notícias sobre as lutas e mobilizações do Coletivo Território do Povo.


O Território do Povo é uma federação de Coletivos que atua na região do Campo Limpo, porque não é apenas um, mas a soma de vários coletivos de origens diversas nas suas formações e reivindicações. E que compartilham a presença física no território e uma orientação geral em comum: a ideia do direito à cidade. Fazem parte dele a EMEF Dr. Sócrates Brasileiro, na figura de seu Conselho de Escola, a ASSAJO (Associação de Moradores do Jd. Olinda), a Brechoteca Biblioteca Popular, o Sarau do Binho, a Acadêmicos do Campo Limpo, a Brava Companhia de Teatro, o Coletivo RUA – Juventude Anticapitalista e o coletivo de grafite KVC – Kores e Valores Crew.